Próximo Descolagem vai debater sobre a escola do século XXI

27 outubro 2008

Categorias: Descolagem, Eventos, NAVE Rio, Notícias, Salão Múltiplo, Uncategorized, Usina de Expressão

O aluno contemporâneo pertence a uma geração que navega pela internet, joga games e está habituada a desempenhar múltiplas tarefas simultaneamente. E a escola, do jeito como é hoje, com o seu conteúdo e abordagens que remontam a séculos, cada vez mais perde na disputa pela atenção destes alunos. Para debater sobre esta importante questão, o próximo evento Descolagem, cujo tema será Tecnologia e Educação: uma nova escola para um novo aluno, contará com a presença de três especialistas: Paulo Blikstein (professor em Stanford na área de novas tecnologias para educação), Luli Radfahrer (Ph.D. em comunicação digital pela ECA-USP) e Patrícia Konder Lins e Silva (diretora pedagógica da Escola Parque no Rio de Janeiro). O grupo Lens Kraftone, que entre outras novidades utiliza o controlador do jogo Wii como instrumento musical, fará uma apresentação multimídia durante o encontro. O próximo Descolagem está marcado para o dia 22 de novembro, sábado, a partir das 15h, no Núcleo Avançado em Educação (NAVE). O evento é realizado pelo Oi Futuro, instituto de responsabilidade social da Oi, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, que promove uma série de encontros na área “Usina de Expressão” do NAVE. O jornalista e blogueiro Beto Largman, curador, produtor e apresentador do Descolagem, contará com a participação do especialista em internet e redes sociais Cris Dias na moderação.

Para Patrícia Konder Lins e Silva, é preciso se pensar em um lugar de educação radicalmente diferente do que existe hoje. “A escola ainda não incorporou os computadores e as novas tecnologias como instrumentos essenciais do cotidiano. Continua acreditando em aulas expositivas, com alunos passivos que escutam professores. Crianças e jovens que vivem no mundo da interatividade, com seus computadores, iPods, celulares e outras maquinetas certamente não se interessam pelo que a escola tem a oferecer hoje. É preciso ousar uma mudança epistemológica: aprender enquanto se faz. É uma mudança difícil, mas necessária e inevitável”, explica.  Patrícia acredita que a instituição escolar deve se transformar profundamente para se adaptar às necessidades futuras da sociedade da informação.

 

Em sua palestra, Paulo Blikstein vai falar sobre o estado da arte da pesquisa em novas tecnologias na educação e mostrar como a maior revolução nessa área ainda está por acontecer. Crítico em relação ao uso tradicional do computador nas escolas, e à grande parte dos projetos de inclusão digital, que chama de “adestramento digital”, Blikstein vai explicar como a tecnologia pode ser muito mais do que uma forma de acesso instantâneo a conteúdos escolares ou de comunicação humana. Por meio de exemplos de projetos nos EUA, Brasil, México e Senegal, Paulo vai revelar como, nos próximos dez anos, tecnologias hoje só acessíveis a laboratórios científicos de ponta podem invadir a sala de aula e transformar nossos alunos não em “adestrados digitais”, mas em pensadores críticos, autônomos, e capazes de compreender o mundo com uma sofisticação sem precedentes.

Com controles do console de game Wii (os Wiimotes) nas mãos, os músicos do Lens Kraftone (acima) vão tocar de house a samba sem precisar encostar em um instrumento sequer. Utilizando o que há de mais moderno em tecnologia, dos cinco integrantes, quatro ficam com notebooks ao lado para, além de tocar seus instrumentos tradicionais, comandar sintetizadores digitais. Um telão exibirá vídeos sincronizados com as músicas, mixados em tempo real pelo VJ Leonel Combecau. Músicos por formação, eles aprenderam a “tocar” o Wiimote pela rede, comprovando que o conhecimento e a informação trafegam por canais ricos e diferentes - e que precisam ser absorvidos pela “escola do século XXI”.

Luli Radfahrer fechará o evento discorrendo sobre a importância da revolução digital na vida do “novo aluno”. Para ele, o uso de tecnologias digitais nas escolas ainda é praticamente inexistente. E para piorar, muitos professores teimam em ignorar ou proibir o uso de tecnologias de comunicação interativa. “É aquela velha história de se temer o que se desconhece. Essa resistência pode até livrar a cara de um ou outro por enquanto, mas no médio prazo é demolidora. Qualquer aluno que use o computador em casa, em LAN Houses ou com os amigos sabe de sua importância nas relações sociais e provavelmente suspeita das profissionais. Ao ver seu professor rejeitar a tecnologia, ele entra em conflito”, diz. “Não é curioso pensar que, mesmo com tantas inovações tecnológicas, uma sala de aula de hoje não é diferente em sua essência de uma do século XVI? Será que em 500 anos nada mudou?”, indaga.

Quem não conseguir participar presencialmente vai ter uma boa opção: no dia do evento, a WebTV do site do NAVE transmite o Descolagem ao vivo, a partir das 14h30. Os convidados poderão conhecer também a Expo_Games, uma exposição com instalações sobre o universo dos jogos eletrônicos, cuja curadoria é do artista multimídia Batman Zavareze.

SERVIÇO

Data: Sábado, dia 22 de novembro de 2008

Horário do início do Descolagem: 15h. Os portões estarão abertos a partir das 14h00, para quem quiser visitar a Expo_Games.

Endereço: Rua Uruguai, 204 - Tijuca - Rio de Janeiro

Entrada gratuita. Os interessados em participar devem enviar uma mensagem para descolagem@oi.com.br com o título “Quero Participar” e no corpo da mensagem informar o nome, idade e ocupação. Como o número de inscrições é limitado, enviaremos uma mensagem confirmando o convite. Quem se inscreveu para as edições anteriores do Descolagem não precisa se preocupar em enviar a mensagem pois também receberá o convite. O encontro contará com transmissão ao vivo pela internet, no site http://www.onave.org.br/, a partir das 14h30.

Links úteis:

Dicas para ir ao Descolagem I

Dicas pra ir ao Descolagem II

OS CONVIDADOS DESTA EDIÇÃO:

Patrícia Konder Lins e Silva é diretora pedagógica da Escola Parque no Rio de Janeiro há 30 anos, é formada em Pedagogia com curso de mestrado em Filosofia da Educação pelo IESAE-FGV. Estuda epistemologia e se dedica a investigar a aprendizagem dos seres humanos. Antes de se graduar em Pedagogia, cursou as Faculdades de Letras, Sociologia, Biologia e Filosofia.

Paulo Blikstein (http://www.blikstein.com/paulo) é professor em Stanford (EUA) na área de novas tecnologias para educação. Engenheiro formado pela Escola Politécnica da USP, Paulo é mestre pelo MIT Media Lab (2002), onde integrou a equipe de Seymour Papert e David Cavallo no grupo “The Future of Learning”, indo depois fazer doutorado na Northwestern University, em Chicago. Seu trabalho, mesclando o estado da arte em tecnologia com as idéias emancipatórias de Paulo Freire, é especialmente focado em populações de baixa renda. Paulo conduziu projetos de implementação de tecnologias educacionais no Senegal, México, Costa Rica, EUA e em vários sistemas públicos de ensino no Brasil. Blikstein foi consultor da FAO-ONU e do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), e um dos criadores da primeira placa de robótica educacional “open-source” do mundo, a GoGo Board (www.gogoboard.org), hoje usada em mais de 10 países. Antes de mudar para os Estados Unidos, Paulo foi CEO de uma empresa de educação à distância e roteirista de televisão.

A banda Lens Kraftone (http://profile.myspace.com/lenskraftone) foi criada em 2007 com a proposta de unir as mais modernas técnicas de Live PA (performance do DJ) com instrumentos tocados ao vivo. O grupo passeia pelas várias vertentes modernas da house music, permeado por influências que vão do rock ao jazz, passando pelo samba. Há mistura de composições próprias e músicas consagradas como Money for Nothing (Dire Straits) e Sweet Dreams (Eurythmics). A banda irá tocar com controles do game Wii, e dar um show integrado de som e imagem.

Luli Radfahrer (http://www.luli.com.br/) é Ph.D. em comunicação digital pela ECA-USP, de onde também é professor há mais de dez anos. Trabalha com internet desde 1994, já dirigiu as divisões digitais de algumas das maiores agências de propaganda do país. Entre 1999 e 2001 trabalhou em Nova York e Londres, dirigindo portais de conteúdo digital. Em 2002 voltou ao Brasil para redesenhar a AOL e não saiu mais. Hoje é consultor de inovação digital com clientes no Brasil, Canadá, Estados Unidos e Oriente Médio.

O QUE É DESCOLAGEM

Descolagem pode ser uma palestra, mas também uma mesa redonda, um filme, uma performance, um curso, workshop ou o meio de difusão de informação e conhecimento que mais se adequar ao momento, à proposta, ao assunto, ao século em que vivemos. Na Descolagem, qualquer um pode ter a palavra. Perguntas podem ser feitas e opiniões podem ser dadas tanto presencialmente como à distância (sujeitas a moderação), uma vez que será possível acompanhar o evento ao vivo, via streaming, pela internet. Ferramentas de blog, microblog, SMS e e-mail serão fundamentais para a transformação da Usina de Expressão do NAVE num espaço de troca de experiências, fazendo com que a comunicação seja a principal tônica dos encontros. O material das Descolagens (vídeos, estudos, apresentações) ficará disponível online após os eventos - assim, o projeto contribui com farto material de pesquisa, tanto para o público interno do NAVE como para o internauta interessado.

NAVE

O Nave é um programa do Oi Futuro voltado para a pesquisa e desenvolvimento de soluções educativas que utilizem de forma diferenciada as tecnologias da informação e da comunicação no ensino médio. No Rio de Janeiro, o projeto é realizado em parceria com a Secretaria de Estado de Educação. O NAVE é formado pelo Colégio Estadual José Leite Lopes, pela Fábrica de Cultura Digital - um centro de pesquisa e inovações - e pela Usina de Expressão, espaço voltado para exposições e seminários. Modelo similar foi implantado em 2006 pelo Oi Futuro no Centro de Ensino Experimental Cícero Dias, em Recife (PE) - escola pública de horário integral que desenvolve, entre outras atividades, uma fábrica de jogos, onde os alunos aprendem a produzir jogos eletrônicos.